28/10/2021

O AVIÃO MISTERIOSO – Marlei Cunha

Na comunidade de Costa Rica conta que de repente um piloto deixou um avião. Jamais voltou para pegá-lo e aos poucos cada morador foi carregando como souvenir, um pedaço do avião. Jamais circulou alguma notícia de que alguém tenha falado ou reclamado algo relacionado ao avião. Era um avião misterioso.

Passei vários anos da minha vida mexendo em ossos, documentos, causos que envolvia a criação de Costa Rica e a presença de um avião abandonado sempre me intrigou. Como pode esquecer um avião! Registrei o fato em livro. O avião virou a lenda: O avião Misterioso. O meu registro era apenas o folclore envolvendo o Avião.

O aviador Júlio Martins que também é fundador da cidade de Chapadão do Sul contou numa entrevista, anotei o seguinte, sobre o avião misterioso que foi esquecido no aeroporto:

Um piloto seu amigo (não quis dizer o nome do piloto) fazia um voou de Bauru ao Acre a fim de auxiliar no socorro de flagelados de enchentes, teve que fazer um pouso num campo improvisado próximo a vila de Costa Rica, havia problemas no magneto (distribuidor do motor). Estacionou a aeronave e foi até Cha­padão do Sul, onde pegou emprestado um avião do Júlio Martins e foi buscar um profis­sional especializado. Ao retornar encontrou a aeronave totalmente depenada, pessoas não identificadas haviam tirado partes do avião como poltronas, equipamentos de navegação. Os pneus foram retaliados, fizeram estilingues com as câmaras cor de rosa importadas. Júlio classifica que o que aconteceu em Costa Rica foi selvagem e Bárbara! Até os índios recepcionam bem e têm espírito comunitário.

Outras versões aparecem na comunidade sobre o avião, mas quem apresenta alguma versão não quer se identificar para não se comprometer. Recorri às autoridades policiais daqueles tempos que não se lembraram de detalhes.

No final do ano de 2014 depois de publicar sobre o avião no livro Memória Fotográfica de Costa Rica, encontrei o Marchetti que foi vereador na segunda gestão do Legislativo e é pioneiro no cultivo da soja nos cerrados de Mato Grosso do Sul, contou a seguinte história sobre o avião.

O avião deu volta pelas furnas e cerrados das margens do rio Sucuriú e lá embaixo o piloto podia ver casebres de uma Vila que se projetava e o agricultor Irini Gilberto Marchetti vinha sentido Vila dirigindo a sua camionete F-4000 branca e pode ver algo diferente num risco de fumaça que ficou projetada no céu. O avião fez a escala no campo de terra vermelha.  Marchetti foi o primeiro a chegar junto ao avião e viu lá dentro uns cem colchões, não havia poltronas. Falou com aviador que lhe pediu para levar até o Gaúcho Pobre e disse que conhecia o Júlio Martins em Chapadão do Sul. O aviador queria que o Marchetti levasse só até o Gaúcho Pobre, porém não pediu que levasse até Chapadão onde residia Júlio. O piloto disse ainda que a carga era destinada aos desabrigados no estado do Acre. Gilberto observou que tinha um pneu furado.

Uns 6 dias depois veio um mecânico que examinou o motor e disse que estava perdido, este avião não sai mais daqui. Mas Marchetti observou que os colchões não estavam mais no avião e havia feito um buraco, rompendo com uma camada do assoalho, era algo no ar para se imaginar e foi o que Marchetti continuou imaginado.  Nos seus pensamentos questionamentos não ficou resolvidos. E os colchões… Por que o buraco descobrindo uma camada no assoalho. Por que o aviador não pediu que levasse a Chapadão do Sul.

O tempo assinalou várias estações depois o gaúcho Marchetti foi de encontro com o seu pai que estava doente em Passo Fundo. A viagem o levou a Maracajú e lá foi reconhecido pelo piloto do avião que seria o piloto que o levou a Passo Fundo. Mas ao encontrar com o piloto lhe disse, hora se soubesse que era o senhor ia buscar lá. O piloto se referiu a ao bom atendimento e favor prestado pelo Gilberto Marchetti.  O piloto ao ser questionado pelo Marchetti sobre os colchões que desapareceram, respondeu,

– Aqueles colchões têm história…  E o rompimento do assoalho. O piloto deu um sorrisinho. Ainda ficou mais intrigado! Que história seria… E o sorriso com uma expressão de quem diz, imagine! Anotando tudo isso, era tempo de seca no Acre ou flagelado das estações das águas. O avião teria partido de Bauru e ia para o Acre, mas a última escala foi Campo Grande.  Seria essa a rota, aliás, por que esta volta se havia passado em Campo Grande. Estaria voltando. Agora se viesse da Bolívia ou Paraguai…. Aonde levaria carga. Mas para a população local ficou a lenda. Um avião misterioso, ninguém ficou sabendo de onde veio e para onde vai, ou melhor ia. E a carga foi para onde… Mistério!!!

Leia também

Compartilhe

Costa Rica
céu limpo
19.4 ° C
19.4 °
19.4 °
96 %
2.4kmh
5 %
qui
30 °
sex
30 °
sáb
27 °
dom
25 °
seg
26 °

Mais populares

X