18/10/2021

Marlei Cunha presenteia MS com romance sobre infância não-idealizada

Obra de escritor e teatrólogo de Costa Rica enriquece acervo literário da produção autoral no Estado

A literatura regional produz mais um presente para os brasileiros, em geral, e particularmente para os leitores sul-mato-grossenses. Trata-se de “Airê, o Menino Invisível”, lançado em fevereiro deste ano pelo escritor, editor, dramaturgo e pesquisador do folclore Marlei Cunha, um paulista de São José do Rio Preto que há anos veio para Mato Grosso do Sul.

Instigante e provida de um lirismo crítico, a obra romanceia realidades replicadas na infância – a do autor – que foge da concepção de uma faixa etária idealizada, como define a mestra em Educação Graciela Mendes Targino, admiradora de Marlei. “Esse livro é um grande presente para a nossa cultura”, afirmou Graciela. “Trata-se de um romance em que o pesquisador e escritor narra eventos de sua infância e traz, no bojo de seus escritos, uma concepção de experimentos infantis, brinquedos e brincadeiras de um menino que nasceu e cresceu em Mato Grosso do Sul”.

 

OLHAR UNIVERSALISTA

O olhar da admiradora não é o de um estreito corredor afetivo, mas de uma especialista em Educação que aprimora seus conhecimentos e qualifica o exercício de ensinar com a saudável peregrinação pelos diferentes caminhos oferecidos no universo literário. É nesta planície de universalidade que ela buscou inspiração para redigir o prefácio. Em uma das construções do texto, ela escreveu: “Mato Grosso do Sul faz fronteira com cinco estados (Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Paraná e São Paulo) e com dois países (Paraguai e Bolívia). Povos indígenas, africanos, japoneses, sírios, libaneses, turcos e palestinos fazem parte da constituição do povo sul-mato-grossense. Desta forma, a produção da cultura regional dialoga com muitas culturas diferentes”, acentuou.

 

Em seguida, Graciela faz estas indagações: “Mas onde está o registro da cultura lúdica do estado? Qual é a identidade das brincadeiras regionais de Mato Grosso do Sul? E acrescenta que depois de muito pesquisar, constatou existir considerável deficiência do Estado na produção escrita sobre cultura lúdica regional. Assim, Airê é uma criança com a “sua aldeia” e nela conhece, inventando e experimentando sensações ao sabor dos ventos imprevisíveis e inquietos dos ventos soprados por sua liberdade. “É uma infância real, com seus desejos, inquietações e algumas ações socialmente vistas como negativas. O cenário onde se passa essa história é um ambiente rural, rico em diversidade de fauna e flora”, reforçou Graciela. “As brincadeiras são ações lúdicas. Neste contexto, talos de mamona, bagaço de laranja, raízes e sabugo de milho eram brinquedos ricos em possibilidades lúdicas”.

Quem já conhece a rica contribuição que o Estado já vem recebendo há décadas do compromisso e das iniciativas de Marlei Cunha, seguramente não haverá de duvidar do que salienta Graciela: este livro é um marco na história de Mato Grosso do Sul. “Leva os leitores em uma viagem pela infância de um menino sul-mato-grossense, trazendo contribuições significativas para os registros escritos da cultura lúdica regional”.

Em 2012 – Com o Plenário da Câmara de Vereadores de Costa Rica (MS) lotado, o escritor Marlei Cunha lançou o seu livro “Ruas – Nomes Lembrados”, a publicação resgata a história do município ao longo das décadas.

Com 150 páginas, o autor utilizou para a pesquisa histórias no arquivo público, entrevistou pessoas que moram na cidade e algumas que são da cidade, mas residem em outras regiões. “Eu já conhecia a maioria dos personagens”, disse Marlei. Lançou “Suarentos”, em 1979.

Marlei Cunha. Foto: Reprodução

Marlei Rodrigues da Cunha nasceu em 27 de fevereiro de 1950, na Fazenda Mequém, perto do hoje município Paraíso das Águas, que era distrito de Costa Rica. É ator com registro profissional no Ministério do Trabalho e Emprego, dramaturgo filiado na Sociedade Brasileira de Atores Teatrais (SBAT) desde 1983, escritor filiado na União Brasileira de Escritores (UBE) e tem seu nome inscrito na Enciclopédia Brasileira de Literatura, organizada por Afrânio Coutinho.

O início no teatro foi em São José do Rio Preto (SP), no ano de 1971, quando Marlei participou de peças e integrou a Comissão Organizadora dos primeiros festivais de artes cênicas na cidade. Declaradamente socialista, interpretou, dirigiu e escreveu várias peças, algumas alvo de censura da ditadura militar. Sua produção literária e teatral inclui títulos e histórias de grande repercussão. “Morte Lenta”, por exemplo, está entre as peças que foram censuradas.

Militante de movimentos sociais e políticos como o da anistia, no livro “Galdino, o Profeta das Águas”, que virou também peça teatral, contou a história do profeta Aparecidão, que viveu num hospital psiquiátrico e foi tratado como prisioneiro político pela imprensa. Outro espetáculo autoral, “Na Rua do Lazer Você Tem o Que Fazer”, dirigido ao público infantil, ficou em cartaz durante três anos na capital paulista e depois percorreu outros estados.

 

Atuou nas seguintes peças:

  • Capa Verde e o Natal de Osman Lins – 1981
  • Ave Palavra – Adaptação de Guimarães Rosa 1972
  • Diretor
  • O pirata de Jurandir Pereira – 1973
  • A História de João Rico- Teatro de Cordel 1974
  • Código – 295 – De Wilson Daher

 

DRAMATURGO

  • Escreveu as seguintes peças:
  • Morte Lenta – Interditada pela Censura.
  • Suarentos que em seguida foi publicada em livro. A peça foi encenada em diversas regiões do país por diversos grupos.
  • Relento – Encenada e publicada em livro.
  • Dezenas de peças teatrais inéditas.
  • Marlei Cunha escreve e edita seus livros. Publicou vários e tem outros no forno.

 

POESIA

  • Na poesia, é autor de “Fragmentos” (coletânea de poetas sul-mato-grossenses), “Janela Poética” (antologia com poetas de Paranaíba), “banco Surreal” e “Utilidade Pública”. A história regional é outra fonte que o abastece. Entre outros títulos literários, são de sua lavra:
  • Fragmento –
  • Antologia – Poetas sul-mato-grossenses
  • Utilidade Pública –
  • Banco Surreal – Poesia em cheque
  • Janela Poética – Antologia com poetas de Paranaíba
  • São Paulo
  • Galdino, o Profeta das Águas – Encenada e publicada em livro. Fez parte do movimento pela Anistia. História de profeta Aparecidão, num hospital psiquiátrico e a imprensa o tratou como prisioneiro político.
  • Na Rua do Lazer, você tem o que fazer – Infantil. O espetáculo ficou três anos encenado em São Paulo (capital) e percorrendo diversos estados do Brasil
  • Costa Rica – MS

Foi o primeiro Assessor de Cultura no período de 1989 a 1992. Organizou um movimento de teatro na cidade e participou de festivais promovidos pela Federação de teatro Amador do Estado de Mato Grosso do Sul.

Escreveu e encenou a peça Porandubas do Sertão – Baseada em causos da nossa literatura Popular Narrativa.

Escreveu e encenou a peça Infantil ‘A Caça, a Caçada e o Caçador’. Tem dezenas de peças de teatro esperando a oportunidade de uma encenação.

 

HISTÓRIA REGIONAL

Na área de História Regional, publicou os seguintes livros: “Pay Pirá, O Bandeirante” (sobre Antônio Pires de Campos, que exterminou índios caiapós na confluência dos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Triângulo Mineiro); “Costa Rica, História e Genealogia”, “Aparecida do Taboado: O Portal do Desenvolvimento”, “Ruas: Nomes Lembrados”, “Cantigas e Cirandas do Cerrado”.

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